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Os críticos ladram e as eBikes passam

Publicado : 2019-02-05 14:42:26
Categorias : Notícias

Durante 15 dias tive a oportunidade de testar, ou melhor: levar a pastar duas renas eléctricas do “Nicolau”. Ainda na véspera do Natal do ano passado, entram-me dentro do estábulo duas eBikes da Cannondale, de 2019: a Moterra Neo 1 (http://bit.ly/2RD9jsG), e a Cujo Neo 130 1 (http://bit.ly/2Rzpl6R). Convidei 3 pessoas (escolhidas a dedo) e fizemos alguns trilhos e estradas pavimentadas com desníveis assustadores, só para erradicar o preconceito pelas bichas. O meu preconceito já tinha sofrido previamente um exorcismo numa Trek Superfly 9 FS Plus de 2018. Adorei, mas, depois dessa experiência, nunca pensei que fosse voltar a sentar o traseiro noutra eBike. Não são todas as lojas que deixam elas andarem por aí a serem testadas no seu habitat natural…

Bateria carregada para 2019: Hi Ho Silver! Away!

Podemos dizer que o conceito de pedal assistido das eBikes veio para ficar, apesar das opiniões dos "velhos do restelo": 
"Oh, maldito o primeiro que, no mundo,
nas ondas vela pôs em seco lenho!”
Isto traduzido em linguagem de ciclista, seria assim:
“Oh, maldito o primeiro que, no mundo,
nos trilhos motor eléctrico pôs em velocípede de metal (ou carbono)”
Uns teimam em não querer experimentar (talvez por pensarem que não o fazendo se mantêm puros e duros). Outros, rejeitam-nas murmurando opiniões que só demonstram ingenuidade. Mas, nisto das biclas eléctricas, vale a pena ignorar as críticas com a expressão: “Os cães ladram e a caravana passa”

Fiu-Fiu! (som característico de assédio sexual no mato).

Haverá melhor maneira de fazer turismo em Portugal? Ou de diminuir os “enlatados” nas cidades? —Duvido. Só mesmo um purista que nunca experimentou é que não conhece as potencialidades de um motor que nos assiste à pedalada. Posso dizer-vos que me deu um gozo tremendo ter feito alguns recados na Moterra (pois foi nela que mais pedalei—uns 300kms) em horas de ponta, no Porto, na N1, etc… Fazia uns 40 a 60kms a gastar muito pouca gota—refiro-me, pois claro, ao meu suor :D, porque a gota de combustível fóssil, essa estava queimar nos enlatados parados em engarrafamentos. Se me preocupei com a autonomia da bateria?—Para falar a verdade, não é algo que seja preocupante, até porque o carregador da mesma consegue carregá-la a 100% em menos de 3 horas e é leve o suficiente para o trazer na mochila. Nota: basta 1 hora de carga para atingir os 50%.

A Moterra Neo 1 deixa-se envolver em cenário de aventura e está a convidar-te com o seu charme "peligroso" Ai Ai Ai!

Podem ver a info das voltas que fiz com a Moterra nos meus registos a solo no Strava:
https://www.strava.com/activities/2035344432
https://www.strava.com/activities/2039267152
https://www.strava.com/activities/2042990623
https://www.strava.com/activities/2051078703
https://www.strava.com/activities/2052656414
https://www.strava.com/activities/2061122934


A beleza natural dos trilhos fica-lhe bem...A beleza natural dos trilhos fica-lhe bem...

A Moterra Neo 1 usa motor Bosch (mais pormenores técnicos: https://www.bosch-ebike.com/en/), enquanto que a Cujo Neo 130 1 usa o Shimano Steps (mais pormenores técnicos: https://www.shimano-steps.com/e-bikes/europe/en). Não vou gastar latim com detalhes técnicos (até porque o latim não é o meu forte), mas, ambos os motores trabalham de forma semelhante e satisfatória.

Cannondale Cujo Neo 130 1.

Fui delicado com elas, porque pensei tinham um daqueles botões “eject” que, a desejo da bicla, mandava qualquer "hater" de bicicletas eléctricas pelos ares... afinal era apenas para baixar o espigão do selim. :D

A Moterra traz um acessório essencial que normalmente não vem nas eBikes dos outros fabricantes: uma luz fantástica, a melhor luz para bicicleta que alguma vez experimentei. De se lhe tirar o chapéu e de meter respeito na estrada, ou no monte! A Supernova M99 Mini Pro-25, alimentada pela bateria da Bosch. Super-resistente e super-eficaz—especialmente em estrada. Certa vez, entrei pela noite dentro numa volta e não trazia comigo luz traseira. Vim pela N108 com a Supernova a guardar-me dos carros que vinham atrás, e que mantinham distância de segurança na escuridão dessa estrada sem lampiões. A luz que a M99 manda para os lados era suficiente para alertar os automobilistas que estava ali alguém com um potente holofote á sua frente. Já nas trevas dos trilhos, nem vou comentar mais nada, apenas que fazia-se dia! Mais informações aqui: https://supernova-lights.com/en/products/e-bike-lights-25kmh/m99-mini-pro-25/


Quanto às 3 pessoas escolhidas a dedo, uma delas, o Tiago, decidiu limpar o pó e teias de aranha à sua bicicleta para a usar como meio de transporte para o trabalho. Essa experiência só lhe durou um ano, pois desistiu. Levei-o a testar a Cujo, a início por alguns trilhos fáceis, mas tive que o desviar para a estrada ou ainda iria dar um tralho na bike. Nota pessoal: Tenho que rever nos meus critérios aquilo que é fácil e o que é difícil quando me der na tola convidar maçaricos para virem comigo pedalar para o monte. :D
Podem ver a info desta volta no Strava:
https://www.strava.com/activities/2037392295


O Tiago com aquela cara triste por saber que ia ser desviado para o asfalto...

O outro rider, o César—a loja aconselhou-o a comprar uma bicla de trail/all mountain, mas, desde que a comprou, contam-se pelos dedos as vezes que a montou. Uma verdadeira tragédia do amor: máquina nova e sensual, parada e com aranhas já a tecerem uma capa protectora à volta… Convenci-o verbalmente, e por teoria, que uma eBike seria a solução para a sua falta de tempo e trouxe-o comigo a curtir uns trilhos perto da sua casa. Resultado: sorriso de orelha a orelha com um travo de delírio em menos de uma hora!
Podem ver a info desta volta no Strava:
https://www.strava.com/activities/2037392372
O César a curtir os trilhos do "meu quintal"...

A última pessoa, o Nuno, e em quem tinha mais curiosidade em ver como se iria safar com a eBike, teve 2x a doença terrível e rara, Síndrome de Guillain-Barré, uma fraqueza muscular de aparecimento súbito causada pelo ataque aos sistemas imunitário e nervoso periférico. Já praticava BTT desde os 17 anos. Em 2002, aos 28 anos, ao acabar de fazer 100kms de monte, teve os sintomas iniciais da doença ainda em cima da bike. Quando a doença passou para a fase avançada, esteve 3 meses ligado ao ventilador, e foi forçado a trocar a bike por uma cadeira de rodas durante 2 anos, fazendo fisioterapia para conseguir erguer-se novamente da doença. Recuperou maravilhosamente, e, quando tudo parecia estar a correr bem, passados 10 anos a mesma doença atinge-o novamente. Resumindo, nunca mais pôde fazer BTT mais técnico e subidas com grande desnível. Os músculos das pernas nunca recuperaram totalmente, tendo a parte muscular dos joelhos para baixo muito fracas para realizar grandes esforços. Daí que, lembrei-me dele para vir comigo testar esta maravilha eléctrica. Mais: o Nuno é um fã obstinado da Cannondale, desde cedo. Nos anos 90, enquanto esteve a viver na Austrália, chegou a comprar uma M1000 de 1992 com suspensão Manitou a um campeão de BTT local (e ainda a usa). Foi dono também de uma CAAD 5 (estrada). Por isso, ficou todo contente por saber que vinha testar uma eBike da Cannondale.

Quando a veio testar, já eu tinha devolvido a Cujo. Mas fui na força das minhas pernas a pedalar com este convidado especial. Mal entramos no monte, fizemos umas descidas de onde tive que desviar o primeiro convidado. O Nuno desceu como alguém que nunca se tinha esquecido de como o fazer. E vê-lo a fazer subidas de 35%  sem grande esforço para as suas pernas foi algo que me deu imenso prazer assistir, apesar do meu "sofrimento" em o acompanhar. :D


No final de cada subida, o Nuno parava e olhava para trás à espera de me ver aparecer: “Já cá estás rapaz!? Fogo! Essa subida tem um desnível brutal! Se eu viesse numa dessas, tinha que ser a pé, e acho que só daqui a 15 minutos é que cá chegava.”.
Podem ver a info desta volta no Strava:
https://www.strava.com/activities/2041078997

Uma pequena volta na Moterra Neo 1 que irá perdurar na memória do Nuno. :)

Percebem porquê que as bikes eléctricas têm o enorme potencial de transmitir satisfação ao seus riders, sejam eles quem forem? No final, o Nuno disse-me que há décadas que não fazia uns trilhos assim e que lhe deu um enorme gozo pela vida voltar a pedalar assim. Que tenham vergonha na cara os críticos, e ponham os olhinhos nos relatos de quem experimentou a sério as eBikes…


Pôr-do-Sol à rei. ;)

Conclusão: Acham que por ter pedalado 15 dias numa eBike morreu a minha paixão pelas bikes normais? Pois enganam-se redondamente! Voltei cheio força para a minha “mais que tudo” e tenho-a montado como se não houvesse amanhã, sem corantes ou preservativos. Agora, que fique aqui registado: o pedal assistido veio para ficar. Eu sou crente, e os céticos não me convencem a renunciar esta crença. ;)


Começou o ataque dos clones eléctricos—há que ripostar em 2019 com toda a "força"! E que a força esteja com os ciclistas sem preconceitos. ;)

Tiago Lopes

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Ver todos os comentários (8)

André Silva


2019-02-11 10:45:35

Parabéns Tiago Lopes pela cronica, está brutal! Fiquei curioso em fazer um "testdrive" numa dessas ebikes! Cumprimentos

Jorge Fortes


2019-02-07 23:17:41

Algumas pessoas recorrem ao viagra para terem uma boa performance sexual. Agora é possível fazer o mesmo no Btt recorrendo às ebikes. Pessoalmente dispenso ambas as coisas, obrigado.

Elísio da Conceição


2019-02-07 14:18:28

Parabéns pela crónica que li divertido, embora nada surpreendido. Assim como também não fiquei surpreendido com os comentários aqui colocados pois já os ouvi dezenas de vezes a riders em trilhos ou passeios. Faço BTT e touring há uns 25 dos meus 59 anos de idade e possuo neste momento 4 bikes sendo duas elétricas, nenhuma das marcas e modelos citadas pelo Tiago, mas ambas com motores Bosch. A primeira (semi-rígida) tem quase 11.000 kms e pouco mais de 2 anos. Há menos de um mês juntei-lhe uma suspensão total que tem andado todos os dias. As outras bikes são uma “sub 10 kg” e uma roda 28 urbana. Estou a fazer entre 8 a 9000 kms/ano e ando em todas consoante a vontade e os trajetos. Quando estou numa elétrica ouvi dezenas de vezes “é o futuro”, “ainda não preciso”, “talvez um dia quando for velho” e outras frases já aqui reproduzidas por companheiros. Também é frequente “riders” picarem-se comigo nos trilhos quando vou a passar, como se um passeio virasse uma corrida. Cheguei à conclusão que a maior parte sente-se um pouco como se a sua virilidade fosse questionada e. as elétricas fossem Viagra ou algo parecido. Nada mais errado. Acima de tudo as elétricas são muito divertidas e vou mais longe, mais depressa e divirto-me mais. Quando volto a pegar na “sub 10” literalmente voo, pois estou habituado à pedalar nas elétricas com vinte e tal quilos. Que ninguém se iluda, as elétricas são bicicletas, não são motociclos nem eu quereria se fossem. Temos que pedalar e muito pois a assistência desliga-se assim que atingimos 25 km/h, ficando assim só com o poder das nossas pernas e com mais peso para arrastar. Há dois anos andei pelo Tirol na Áustria e Baviera e pra aí 90% das bikes que encontrei nos trilhos ou nas casas de aluguei eram elétricas, não tendo ouvido nem um único comentário negativo. Lembro-me quando apareceu o CD e os puristas do vinil (eu incluído) diziam ser inferior por uma enormidade de razões. Puros preconceitos que o tempo e a história se encarregarão de anular e esquecer pois, que ninguém se iluda, as elétricas são o presente e cada ano que passa veremos mais e mais à nossa volta até todos acharem banal. O importante é darmos as nossas voltas, fazer exercício, desfrutar da natureza e divertirmo-nos, cada qual no seu estilo e com os seus meios. Quando nos cruzarmos não sejam condescendentes nem tentem provar nada, que eu vou na minha qualquer ela que seja, sem querer dar lições a ninguém. Bons passeios para todos.

Rui Tavares


2019-02-07 11:03:32

Posso pedir-lhe que me ceda o GPX desta volta? : https://www.strava.com/activities/2037392372 A minha assinatura do Strava não permite o download. Obrigado Rui Tavares

João Gabriel


2019-02-06 22:54:31

Jorge Fortes quando diz " as milhas filhas irão sempre dizer: ah com uma elétrica também eu..." demontra bem um dos grandes benefícios das e-bikes, a possibilidade de oferecer a um maior número de pessoas os benefícios de pedalar, de se desafiar. As bicicletas eléctricas não são motos, exigem que se pedale, mas ajudam. Julgo que o Tiago demonstrou e bem como as bicicletas eléctricas permitem que pessoas que não estejam bem preparadas também possam acompanhar o mais experiente ciclista. Eu como utilizar de uma bicicleta eléctrica para me deslocar no dia a dia estou completamente rendido, infelizmente apesar de já ter experimentado algumas vezes ainda não tenho uma de BTT, mas conto um dia ter.

Jorge Fortes


2019-02-06 19:09:55

Prescrevo totalmente a opinião do “velho do Restelo”! Sim eu também sou um velho do Restelo! Já experimentei uma ebike de um amigo e enquanto não voltei a sentar-me na minha bike movida a100% músculo não descansei. Enfim a indústria ataca o mercado com este novo produto que não é bem uma bicicleta. Depois temos revistas, lojas e reportagens destas para nos convencer a comprar. É com orgulho que chego a casa depois de uma volta e digo que fiz não sei quantos kms, que subi isto e aquilo, etc. Com uma elétrica as milhas filhas irão sempre dizer: ah com uma elétrica também eu...

Luís Matos


2019-02-06 18:50:12

Tiago Antes de mais, parabéns pela crónica e pela forma humorada como a construíste. O prazer que demonstras em andar de Bike, transparece nas tuas palavras e acima de tudo na forma como olhas para este desporto modo de vida. Quanto às e-bikes, que fazem parte do mundo das bicicletas, tenho uma opinião igual à tua, ainda consigo acrescentar 2 vantagens: 1ª retorno de alguns que deixaram de andar de bike com os amigos, porque estes se tornaram (ou tentaram tornar) Pro's 2º adaptar o ritmo ao grupo onde estás, chamando até pessoas que pensavam não ter capacidades físicas para ir para o monte. Se já andei? Sim. Espetacular, ritmos elevados, altimetrias consideráveis e acima de tudo mais prazer a subir do que com a Santa Cruz. Se tenho? Não! Não porque não queira, mas porque os valores ainda são elevados e tenho outras prioridades e, acima de tudo, porque ainda tenho a Santa Cruz. Abraço XTR

Velho do restelo


2019-02-06 17:12:00

Meu: 1. ninguém me obrigou a andar de bicicleta. (gosto muito da simplicidade, pode-se?) 2. ninguém me obrigou a escolher pedalar de bicicleta (parece que subir, descer, fazer kms, esforço e dedicação estão em desuso?) 3. ninguém me obrigou a escolher a bicicleta como desporto (superação pessoal supera a minha necessidade de ter um motor a puxar) 4. não tenho pressa de chegar nem tenho pressa de fazer mais - fazer mais ou mais depressa não é fazer melhor ou com mais qualidade (pergunta à tua namorada, ela explica-te) 5. evolução não é deturpação (deturpar pode ser bom, não se pode é dizer-se que se é algo que... não é) 6. bicicleta é sem motor, com motor torna-se um (imagine-se) veiculo a motor. (não tem mal ter um motor) 7. ebikes não são mountain bikes. (não tem mal não serem) 8. ebikes são um "desporto" (actividade?) à parte (e não tem mal nisso) 9. pelo preço prefiro uma velocipede/mota a sério, assumida, capaz e não um engodo da industria para um nicho de mercado não regulado. 10. diria que para commute são muito boas, apesar dos inúmeros acidentes e da malta menos capaz atingir velocidades ao qual não está preparado. 11. não dá para fazer uma review sem atacar quem tem opinião contrária? Lidar mal com opiniões diz muito de quem as escreve.

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